Tanto a derrota quanto o sucesso estimulam o progresso. DeRose
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Na minha primeira viagem à Índia, eu estava almoçando num restaurante rural em Rishikesh e à minha frente almoçava um swámi. Ao terminar, ele tirou algumas rupias de dentro dos andrajos com os quais se vestia, e pagou a refeição. Um ato corriqueiro, mas eu, muito jovem, ocidental e ainda com as seqüelas do espiritualismo, fiquei chocado. Um monge hindu, mexendo com dinheiro! Se ele o tinha é sinal de que ganhava o vil metal...
Alguns segundos depois do choque inicial, tive um lampejo de lucidez e concluí: se ele não tivesse o seu dinheiro, ganho com o seu trabalho - talvez aulas - como pagaria a refeição? Se ele não pudesse pagar, então, quem pagaria? Ninguém pagaria? Seria justo para o dono do restaurante, que também tinha seus credores e família para sustentar? A solução seria o monge não comer? Ou deveria parasitar a sociedade e explorar os que trabalham noutras profissões, mendigando-lhes seu sustento?
Claro que não. Nenhuma dessas alternativas poderia ser uma solução sensata. Portanto, estava evidentemente correto que o swámi tivesse dinheiro e pagasse honestamente pela sua comida. Nem poderia ser de outra forma. Só uma mente mal educada e cheia de fantasias nem um pouco saudáveis poderia esperar que fosse diferente.
O pior é que, assim como eu pensava na imaturidade da minha juventude alternativista, ainda há muita gente supostamente adulta imaginando que, mesmo um instrutor de Yôga técnico, um profissional, que também tem sua família para sustentar e contas a pagar (até para manter seu estabelecimento de ensino), não deve cobrar o justo preço pelas aulas que ministra. Vou falar mais disso no capítulo dos bolsistas.
Extraído do livro Quando é preciso ser forte, do Mestre DeRose