Quanto mais se golpeia um gongo, maior será a quantidade de pessoas que o escutam. DeRose
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Ministrei o curso na casa do tal professor em Belém. Ele achou que valeu o preço e eu segui para o congresso em Bogotá.
O congresso em si não teve nada de interessante. Os que a União Nacional de Yôga promove no Brasil são muito mais enriquecedores, ensinam mais coisas e são mais divertidos. Mas ocorreu algo que vale a pena registrar. No Rio, nosso pessoal se reunia eventualmente depois das aulas num restaurante chamado Chalé Suíço. Em Bogotá, na saída do congresso, procurando onde jantar, encontrei um lugar com o mesmo nome. Com a saudade que estava sentindo dos meus alunos e amigos, dirigi-me logo ao Chalé. Não obstante, quando cheguei diante da porta, algo me deteve. Pensei: "Hoje é Dia do Mestre, 15 de outubro. A esta hora, lá no Brasil, meus discípulos devem estar fazendo alguma comemoração. Vou telefonar, antes que saiam todos." Liguei da cabine mais próxima. Atendeu Eliane Lobato:
- Que coincidência você telefonar. Estávamos fazendo, justo agora, uma mentalização para que você faça boa viagem e corra tudo bem.
Nesse momento ouvi uma forte explosão. Acabamos de falar e terminei dizendo que iria jantar no Chalé Suíço em atenção a eles.
Não pude. Quando cheguei lá o restaurante não existia mais. Havia explodido e as pessoas que estavam jantando, jaziam laceradas na rua, para onde foram atiradas. Permito-me o direito de considerar que fui salvo pelos meus discípulos.
De Bogotá, rumei a Paris, onde fiquei morando por uns tempos. Aproveitei para fazer um curso na Université de la Sorbonne Nouvelle e aperfeiçoar o meu francês. Esse período foi muito bom para me amadurecer e projetar numa realidade maior do que a vidinha provinciana do Rio de Janeiro. Fiz bons contactos com professores de Yôga da Europa e pude realizar uma avaliação mais adequada do padrão do nosso trabalho no panorama mundial.
Causou-me impressão a quantidade de alunos e amigos que encontrava no metrô, restaurantes e museus. Parecia que o Brasil tinha Paris como estação de férias (mas nem ao menos era época de férias!). Graças a conexões de alguns desses alunos, acabei dando uma palestra no Centro Sivánanda, na rue du Cherche-Midi e um breve curso numa escola de expressão corporal na rue des Trois Frères.
Foi um período muito construtivo. Tornei-me freqüentador assíduo do Boulevard Saint Michel, reduto dos estudantes da famosa universidade multi-secular, a Sorbonne. Um dos meus pontos favoritos era a livraria Gibert Jeune onde, onze anos depois, em 1986, outra vez um atentado terrorista explodiu uma bomba justamente quando estávamos lá comprando uns livros. Esse foi por pouco. Tivemos uma intuição e saímos da loja para olhar uns posters do lado de fora. Nesse momento explodiu o lado de dentro. Afastamo-nos do prédio que começava a se incendiar. Então, tirei umas fotos e entramos num dos restaurantes próximos para comemorar o fato de estarmos vivos, com um agradável jantar à luz do incêndio. Muito romântico!
Mas estas últimas cenas são de um outro filme. Voltemos à primeira viagem, onze anos antes, em 1975.
Extraído do livro Quando é preciso ser forte, do Mestre DeRose