A realidade é uma questão de ótica. DeRose
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Eu estava hospedado em um ashram nos Himalayas e lá também havia um grupo de europeus muito entusiasmados com o que vinham descortinando a respeito do Yôga. Tão entusiasmados que queriam experimentar de tudo, conhecer todos os Mestres, comprar todos os livros, freqüentar todas as escolas. Em termos de ética oriental, era o pior erro que poderiam cometer.
Certa noite convidaram-me para visitar com eles o ashram vizinho ao nosso, onde haveria uma festividade com sat sanga e mantras. Agradeci, mas disse-lhes que não estava interessado no que outra escola pudesse oferecer. Eu já havia elegido uma orientação e tinha definido muito bem o programa de discipulado que me interessava: estava satisfeito com o ashram que me acolhia e não padecia de curiosidade crônica.
- Por falar nisso - perguntei-lhes - vocês pediram autorização ao seu Mestre para ir a outro ashram?
- Imagina! Não é necessário! A gente só vai lá para conhecer...
Como não era da minha conta, calei-me e fiquei quieto. Mas outros não ficaram. No dia seguinte, o Mestre mandou chamá-los e sentenciou:
- Ontem à noite vocês foram vistos entrando no nosso ashram bem tarde, vindos dos festejos que tiveram lugar no mosteiro vizinho. Já que estão interessados no trabalho que se faz ali, mudem-se para lá. Hoje vocês já não recebem aulas, não comem nem dormem mais aqui.
Um dos europeus ainda ensaiou ficar indignado e reclamou comigo que aquilo era mesquinharia. Logo comigo, que compreendia a coisa pela mesma ótica de Mestre e sentira na carne as ingratidões de um comportamento desleal como o dele.
Pode chamar do que você quiser - disse-lhe. - Eu chamo a isso disciplina. O que você fez foi, no mínimo, uma grande falta de educação. O fato é que a escola é dele: ou você obedece as regras da casa ou sai dela.
Na verdade, esse já não podia escolher entre as duas alternativas, pois estava expulso e os Mestres do Oriente não reconsideram.
Extraído do livro Quando é preciso ser forte, do Mestre DeRose