O Yôga é uma filosofia perfeita exercida por pessoas imperfeitas. DeRose
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Contabilizo mais de 20 anos de viagens à Índia, porém, o conteúdo deste capítulo refere-se apenas às primeiras viagens, quando eu era bem jovem e as experiências nesse país constituíam uma descoberta atrás da outra.
Quando comecei a viajar para dar cursos noutras cidades, muita gente implicou com o fato de eu ser muito jovem e não ter ido à Índia. Utilizavam isso como alavanca para questionar o que eu dissesse.
O clímax dessa situação ocorreu em 1975. Recém-chegado a São Paulo, minha discípula, Profa. Helena Alonso, sempre empenhada em me introduzir no ambiente de Yôga da cidade, esforçava-se para apresentar-me a todos os professores locais.
Um dia, levou-me a conhecer certa academia, cuja diretora começou imediatamente um interrogatório gratuito. Inicialmente, umas perguntas mal-intencionadas sobre o Swásthya Yôga. Como eu respondia sem hesitar e respaldava com argumentos bem documentados que ela, diga-se de passagem, desconhecia, a ilustre colega tirou o quinto ás da manga e perguntou, primeiro cautelosamente:
- Prof. DeRose, o senhor já foi à Índia?Como em meados de 1975 ainda não havia ido, ela recuperou a arrogância e disparou:- Pois eu fui, meu filho. E não vi lá nada disso que você fala.
Ora, eu sabia que quase todos os ensinantes de yóga, quando vão à Índia, fazem-no como meros turistas. Apreciam monumentos, ruínas, passeiam, fazem compras, visitam fazendas de gado de corte e comem churrascos. Mas quase ninguém visita os Mestres e escolas importantes, onde se pode encontrar um Yôga de boa qualidade. A maior prova disso é voltarem ao Brasil pronunciando yóga, com ó aberto, demonstração cabal de que nem sequer ouviram essa palavra na Índia, pois a pronúncia correta é Yôga, com ô fechado.
Entretanto, não pude nem dizer mais nada. De cima da sua soberba por ter ido à Índia, essa senhora atropelou tudo o que tentei falar dali para a frente e, a qualquer coisa que eu colocasse, ela voltava a golpear violentamente com seu único trunfo: o da manga...
Com o passar do tempo, tendo cenas como essa se repetido várias vezes, cheguei à conclusão de que o meu caminho seria muito dificultado se não fosse lá na fonte. Assim, decidi ir. Porém, não tinha recursos para uma viagem daquela envergadura. Na época não era tão fácil quanto agora.
Extraído do livro Quando é preciso ser forte, do Mestre DeRose