O que os olhos não vêem o coração pressente. DeRose
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Os pensadores indianos têm o excelente costume de começar definindo as palavras que utilizam. No que se refere a tantra, isso é tão indispensável quanto difícil, considerando a variedade dos sentidos possíveis, cada um com um significado particular. Conforme o contexto, tantra pode significar lançadeira, urdidura (daquilo que é tecido), continuidade, sucessão, ascendência ou ainda, processo contínuo, desenrolar de uma cerimônia, sistema, doutrina, obra científica, seção de obra. Por fim, tantra designa uma doutrina mística e mágica, ou obra nela inspirada.
Para S.N. Dasgupta, tan vem de tantri, explicar, expor; tantra designa também um tratado abrangendo um tema determinado; por isso, tantra figura com freqüência em título de livro sem relação com o tantrismo, e vice-versa.
Neste livro, tantra designará um corpo de doutrinas e, principalmente, de práticas multimilenares. Isso é contestado por alguns, que dizem, e com razão, que a palavra só apareceu no século VI. Mas fazer coincidirem a origem do tantrismo e o aparecimento do nome é capcioso: a palavra "sexo" (do latim sexus, raiz sectus = separação, distinção) só apareceu no século XII, mas tudo leva a crer que a "coisa"existia antes...
Tantra é também "tear, tecelagem". Isso parece não se relacionar com qualquer doutrina. Ora, o tantrismo percebe o universo como um tecido, no qual tudo se imbrica, onde tudo é interdependente, tudo age sobre tudo.
Somando ao radical tan (estirar, estender) o sufixo tra (que indica instrumentalidade), obtemos tan-tra, ou seja, literalmente, instrumento de expansão do campo de consciência comum, para alcançar o supraconsciente, raiz do ser e receptáculo de poderes desconhecidos que o tantra quer despertar e utilizar.
Extraído do livro Tantra, o Culto à Feminilidade, LYSEBETH, André Van. Pág. 60. São Paulo. Summus. 1994.