Quanta gente há humilde por orgulho! DeRose
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por um determinado assunto. Confira à vontade e boa leitura!
Aquele que não sabe e não sabe que não sabe, é um tolo - evite-o!
Aquele que não sabe e sabe que não sabe, é um estudioso - instrua-o!
Aquele que sabe e não sabe que sabe, é um sonâmbulo - desperte-o!
Aquele que sabe e sabe que sabe, é um sábio - siga-o!
Máxima hindu
O fato de começar a lecionar Yôga foi a grande alavanca que me catapultou a um sensível progresso. Dedicando-me integralmente ao Yôga, não ocorria dispersão de energias nem de tempo com alguma outra profissão, a qual ocuparia os dias praticamente inteiros. Em geral, os praticantes só começam a se dedicar ao Yôga à noite, depois que chegam do trabalho, tomam banho, jantam... e então, os diligentes yôgins, cansados e sonolentos, vão ler e tentar praticar alguma coisa. Outros, que optam por estudar pela manhã, antes do trabalho, à noite desmaiam de sono. E ainda têm uma esposa e filhos, a quem precisam dar atenção.
Nesse panorama, praticar Yôga como aluno é perfeitamente viável e até ajuda a driblar o cansaço, o stress e o sono. Entretanto, tornar-se um estudioso em profundidade e um profissional competente, isso é impraticável.
Tive a sorte de estar na confortável posição de poder estudar e praticar o dia inteiro, a semana toda, o ano todo, sem ser dispersado, nem por uma outra profissão, nem pela família.
Além disso, tornando-me instrutor de Yôga, passei a poder investir na compra de livros importados, mais profundos e muito mais caros. Livros esses que os simples estudantes de Yôga hesitavam em adquirir uma vez que, sendo para eles fonte de satisfação mas não de renda, tratava-se de investimento sem retorno financeiro. Para o instrutor, ao contrário, o que gastar com livros, cursos, viagens, será tudo revertido em maior aprimoramento na qualidade do seu trabalho. Conseqüentemente, o investimento retorna de uma forma ou de outra.
Com bons livros e vivendo em estado de imersão total no Yôga, pude mergulhar nos labirintos do inconsciente em longas viagens, cada vez mais remotas, para realizar um verdadeiro garimpo arqueológico diretamente nas origens arquetípicas do Yôga. As Iniciações que recebera eram um verdadeiro fio de Ariadne, com o qual consegui encontrar o caminho de volta. Meu Minotauro foi o Senhor do Umbral.
Algumas experiências eram aterrorizantes, contudo, a juventude me deu forças e intrepidez para superar todas as provas, e chegar aonde queria. Assim, pude testar até à exaustão um número formidável de técnicas. Como era de se esperar, a maioria das práticas mostrava-se inócua e só funcionava como placebo. Outro tanto era de recursos que produziam efeitos fortes demais e não ofereciam a mínima segurança ao praticante. Descobri, ainda, várias combinações explosivas de técnicas que poderiam ser úteis se praticadas em separado, mas tornavam-se violentíssimas se combinadas entre si. Tratei de excluir todas elas e sistematizei as que constatei serem eficazes e, ao mesmo tempo, seguras.
A partir de então, passei a praticar o Swásthya Yôga, agora sistematizado, com ainda mais afinco e dedicação. Ele provou ser um excelente processo, pois comecei a colher resultados fortes, bem rápidos e com toda a segurança.
Hoje, isso tudo já está experienciado e codificado, mas quando era iniciante e procedia às pesquisas, enfrentando o desconhecido, tive algumas vivências que, acredito, se descrevê-las aqui poderão ser úteis aos que estão começando.
De qualquer forma, o primeiro e o mais importante de todos os conselhos que me permito dar ao leitor é o de procurar um instrutor autorizado a lecionar o Swásthya Yôga, ou seja, um instrutor formado, revalidado e supervisionado.
É necessário que o aspirante exerça um bom senso crítico para reconhecer tais atributos e não se deixar iludir por falsos mestres.
Todo praticante tem suas crises de desânimo ocasionadas pelos longos períodos de disciplina, sem que os resultados do sádhana apareçam. Isso ocorreu também comigo. Questionava-me se aquelas práticas estariam certas, afinal eram horas e horas de exercícios, de dedicação exclusiva durante meses e anos...
Desde as primeiras práticas colhi rápidos e intensos efeitos sobre o corpo, o stress, a saúde, a flexibilidade, a musculatura. No entanto, o importante eram os chakras, os siddhis, a kundaliní e o samádhi. E nessa área, não percebia nenhum progresso.
Na verdade, a evolução estava sendo processada aceleradamente dentro de mim, só que em fase de incubação. Mais tarde descobri que quando o praticante não percebe seu progresso é sinal de que o ritmo do seu desenvolvimento está equilibrado e sendo metabolizável, ou seja, encontra-se dentro dos limites considerados seguros. Acontece que os iniciantes não sabem disso e querem notar picos de progresso palpável. Noutras palavras, aspiram por violentações energéticas que o organismo não metaboliza e resultam em arrancadas de aceleração brusca. Isso tem um custo e termina por onerar a saúde física e mental.
Tanto fiz que acabei conseguindo tomar um tranco. Só não me dei mal graças ao Swásthya Yôga, pois ele cerca o praticante com inúmeros dispositivos de proteção muito eficazes. Um deles faz com que as forças só sejam liberadas se o sistema nervoso e nadís estiverem realmente purificados e equilibrados. Para saber mais a respeito, consulte o capítulo Regras Gerais de Segurança no nosso livro Tratado de Yôga.
Certo dia, depois de um longo jejum, pus-me a praticar horas de japa com bíjá mantras, pránáyámas ritmados e longos kúmbhakas, reforçados com bandhas, kriyás, ásanas e pújás. Após três horas desse sádhana, pratiquei maithuna com a Shaktí por mais três horas. Depois, outras duas horas de viparita ashtánga sádhana, com padma sirshásana de uma hora. Então senti um daqueles ápices de arrebatamento energético, síndrome de excesso.
Ao final de tantas horas com práticas tão fortes, acumulativamente com o que já vinha desenvolvendo durante anos, ocorreu o inevitável. Senti que algo estava acontecendo no períneo, como se um motor tivesse começado a funcionar lá dentro. Uma vibração muito forte tomou conta da região coccígea, com um ruído surdo que se irradiava pelos nervos até o ouvido interno, onde produzia interessantes efeitos sonoros, cuja procedência eu podia facilmente atribuir a este ou àquele plexo.
Em seguida, um calor intenso começou a se movimentar em ondulações ascendentes. Conforme os mudrás, bandhas, mantras e pránáyámas, eu podia manobrar a temperatura e o ritmo das ondulações, fazendo ainda com que o fenômeno se detivesse mais tempo em um chakra ou passasse logo ao seguinte. A cada padma, o som interno cambiava, tornando-se mais complexo à medida que subia na linha da coluna vertebral.
De repente perdi o controle do fenômeno, como se ele fosse um orgasmo que você consegue dominar até determinado ponto, mas depois explode. E foi mesmo uma explosão de luz, felicidade e sabedoria. Tudo à minha volta era luz. Não envolvido em luz: simplesmente era luz. Uma luz de indescritível brilho e beleza, intensíssima, mas que não ofuscava. A sensação de felicidade extrapolava quaisquer parâmetros. Era uma satisfação absoluta, infindável. Um jorro de amor incondicionado brotou do fundo do meu ser, como se fosse um vulcão. E a sabedoria que me invadiu durante tal experiência, era cósmica, ilimitada. Num décimo de segundo compreendi tudo, instantaneamente. Compreendi a razão de ser de todas as coisas, a origem e o fim.
Faço questão de frisar: foram vivências como essa que aniquilaram com o meu misticismo assimilado na juventude, perpetrado por leituras equivocadas. Aqueles que declaram ter-se tornado místicos por causa, justamente, de experiências semelhantes, na verdade tiveram apenas vislumbres tão superficiais que acabaram gerando mistérios ao invés de dissolvê-los. É como a parábola do homem que encontrou a verdade.
No meu caso, dali resultaram os conceitos que me permitiram concluir a sistematização do método. Naquele momento, tudo ficou claro. Todo o sistema se ajustou sozinho, bastando para isso que fosse observado do alto e visto todo de uma só vez, como através de uma lente grande-angular. Tudo era tão simples e tão lógico! Bastava subir para uma dimensão diferente daquela na qual nossas pobres mentes jazem agrilhoadas cá em baixo.
Vontade de sair daquela experiência, não tive nenhuma. Porém, depois de um enorme período, parecendo-me muitas horas de regozijo e aprendizado, senti que havia-se esgotado o tempo e era preciso retornar ao estado de consciência de relação, no qual poderia conviver com os demais, trabalhar, alimentar meu corpo, etc. Bastou cogitar em volver e imediatamente troquei de estado de consciência. Foi algo muito interessante, sentir-me perder a dimensão do infinito e cair, com a velocidade da luz, de todas as direções às quais havia me expandido, passando a contrair minha consciência para um pequeno centro, infinitesimal, blindado por uma mente e por um corpo, numa localização determinada dentro daquele Universo que era todo meu e que era todo eu, apenas um instante atrás. Era o Púrusha cósmico, contraindo-se para tornar-se Púrusha individual.
Voltar à dimensão hominal não foi desagradável. A sensação de plenitude e felicidade extasiante permanecia. O curioso foi que tinha-se passado, não as tantas horas que supunha, mas tempo algum! O relógio de parede à minha frente marcava a mesma hora. Portanto, para um observador externo, tudo ocorrera num lapso equivalente a um piscar de olhos e não teria chamado a atenção de ninguém.
A partir desse dia, foi como se eu tivesse descoberto o caminho da mina: não precisava mais dos mapas. Podia entrar e sair daquele estado sempre que quisesse, com facilidade.
Mestre DeRose